Reciclar-se é essencial
Para não ficar para trás na profissão, procurar cursos, aulas e leituras que aperfeiçoem o conhecimento do motorista é a principal dica. Com tecnologia cada vez mais desenvolvida, é preciso que os caminhoneiros de primeira viagem saibam como funciona o veículo que operam. “O equipamento hoje é completamente diferente. Na minha época, ouvíamos um barulho diferente e já sabíamos onde estava o problema no caminhão”, conta Claudinei Pelegrini, presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM). Fazer cursos de direção defensiva, logística e atendimento a clientes e parceiros auxiliam o profissional a conhecer o conteúdo como um todo.
Informações importantes? Apenas para conhecidos
Ao parar em postos para abastecer, comer ou usar o banheiro, o caminhoneiro pode ser abordado por pessoas interessadas em sua carga, em seus pertences pessoais e no próprio caminhão. Falar somente o necessário aos desconhecidos ajuda a evitar roubos e assaltos. Dar carona também se tornou perigoso. Muitos deixam de parar para ajudar outros caminhoneiros por medo e desconfiança, afirma Laerte José de Freitas, vice-presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Paraná (Sindicam-PR).
Fazer do jantar da noite o almoço do outro dia
Com os prazos apertados entre uma entrega e outra ou para economizar, alguns motoristas deixam a fome de lado e não param no horário do almoço. O conselho de Pelegrini é cozinhar em maior quantidade ao fazer o jantar. Assim, o motorista pode guardar parte da comida para o outro dia. No seu tempo, conta, andava com três panelas de pressão no veículo, cozinhava à noite e esquentava o mesmo prato ao meio-dia do dia seguinte. “É um horário complicado, mas agora, com as pausas obrigatórias, fica mais fácil”, ressalta.
O melhor descanso é o travesseiro
“O grande mal que hoje assola os caminhoneiros que estão começando é a pressa”, acredita Pelegrini. Mesmo com a Lei do Descanso, a fiscalização – ainda fraca – não tem feito com que os motoristas parem a cada quatro horas ou 300 quilômetros rodados. Alguns chegam a dirigir por mais de 15 horas sem parar, tudo para chegar a tempo no local de entrega. Também há quem abuse dos inibidores de sono e fiquem até duas noites sem dormir, o que, além de um dano para a própria saúde, é um perigo. “Mas nós, anciões da profissão, sabemos bem que o melhor rebite é o travesseiro”, diz o presidente da ABCAM. Dormir bem faz com que o caminhoneiro acorde disposto, revigorado e cheio de energia. É o mais eficaz.
Dirija com paciência e segurança
Ver pelo vidro retrovisor um enorme caminhão pode amedontrar condutores de veículos leves – que, nas estradas, fogem e fazem manobras para sair de perto dos veículos de carga pesada. Manter a cautela e prestar atenção é a recomendação de Freitas. “Sempre orientamos os caminhoneiros para que se esquivem desse tipo de confronto”, afirma. A dica é que o motorista mantenha a distância regular e respeite a sinalização e a velocidade da estrada, para não criar tumultos ou assustar quem dirige veículos leves.
Descansar nas paradas obrigatórias
Já que são obrigatórias, é uma boa ideia por parte do caminhoneiro aproveitar as pausas a cada quatro horas ou 300 quilômetros percorridos. Relaxar de 15 a 30 minutos e se alongar no resto do tempo previsto faz com que o trabalhador recomponha a energia perdida e não se torne sedentário. “A lei ajudará muito a estruturar a vida do caminhoneiro”, garante Norival de Almeida Silva, presidente do Sindicato de Caminhoneiros de São Paulo. Aproveitar o descanso para ler, fazer atividades leves ou até mesmo dar uma caminhada para esticar as pernas são outros conselhos válidos.
Revisões frequentes, caminhão sadio
Realizar manutenções frequentes e revisar o veículo sempre que chegar à quilometragem limite também é uma recomendação que os profissionais veteranos dão aos que estão começando. Cultivar o caminhão sempre em bom estado impede problemas futuros ou repentinos no caminhão. Passar mais de seis meses longe da concessionária é um erro, pois provavelmente, antes disso o veículo terá operado o suficiente para ser revisado. Outro conselho válido é aderir ao Programa Despoluir, uma iniciativa que pretende medir a quantidade de poluentes que o caminhão está emitindo para a atmosfera, para que o caminhoneiro regularize o veículo. Já as frotas aprovadas recebem um selo atestando que estão dentro das normas exigidas pelos órgãos ambientais. “A CNT tem sido rigorosa nesse sentido, pois dá para ver de longe a fumaça preta que sai do caminhão”, afirma Freitas.
Fonte: Transporte & Logística
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